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Autor Tópico: ESCREVA SOBRE O TEMA DA PRÓXIMA EDIÇÃO DA BIENAL DO PORTO SANTO  (Lida 1228 vezes)
Manuel Pessôa-Lopes
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« em: 13 Março, 2008, 22:48:39 »

:: 2009

:: III Bienal do Porto Santo

:: tema: DE CORPO E ALMA

:: escreva um texto sobre o tema proposto para a próxima edição, e publique-o nesta sala do fórum Joker Art Gallery

:: os textos (assinados) de melhor qualidade literária e mais relevantes poderão ser publicados no catálogo da III Bienal do Porto Santo, sendo a escolha dos mesmos da responsabilidade do Comissariado da Bienal

:: + INF.: bienaldoportosanto@jokerartgallery.com
« Última modificação: 05 Abril, 2008, 14:59:15 por Manuel Pessôa-Lopes » Registado
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« Responder #1 em: 21 Março, 2008, 23:44:17 »

De Corpo e Alma

Olho-me ao espelho e vejo meu corpo desnudo
Dona de mim, olho a minha alma.
Encontro-me.
Retomo o olhar no espelho.
A minha imagem continua ali, reflectida.
Quem passa e me vê, ali parada frente ao espelho
Não imagina quem sou, apenas vê o que sou
Um físico, um corpo desnudo, nada mais.
O meu físico olha, mas a minha alma não alcança.
Apenas eu me conheço,
por dentro e por fora.
Sento-me no meu baloiço.
Olho novamente o espelho
E sinto que sou como um chocolate
Com recheio de alma e cobertura de corpo.
Quem me vê, não sabe meu sabor..
Não conhece minha alma.
Gosto da ideia e riu-me.
Penso nela.
Repenso-a.
O meu corpo é o espelho da minha alma.
Cada toque,
cada olhar
transmite-A..
Vivo mostrando o Corpo e entregando a Alma.
Fundindo os dois
em cada simples gesto..
O resultado desta fórmula sou Eu
E esta é a verdadeira entrega à vida de Corpo e Alma…!

RaioDeLuz*Cristina Pina
14h10m - 14 de Dezembro de 2007
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RICARDO BARRADAS,curador e avaliadordearte.


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« Responder #2 em: 27 Março, 2008, 16:41:44 »

De Corpo e Alma.

“...Se vem às tempestades,acostas,que o Porto é Santo.
Se vem às calmarias,percebas que o mar é manto...”
Proclamava no passado o visionário navegador Genovês.
A Lua Senhora é a mais bela e velha testemunha,
de cada uma das tentativas da vida permanecer-se viva.
Nunca houve noite que pudesse impedir o nascer do Sol.
As águas primordiais banham,molham e secam os finos grãos de areias nas praias,ao mesmo tempo,que a cada dois anos,celebram e vivificam-se como num passe de mágica,
alguma liquida parte na obra de cada artista.

A água que flui e nos transborda.
Quando estamos fadados,os pensamentos novos,
revigoram-nos do seu jeito,nossa tremula inquietude.
De certo a juventude,não tem idade
é a parte motriz de um continuo movimento,
que nos joga para frente,e nos joga para traz.
Os rios correm para o mar,as chuvas umedecem a terra.
Repetidamente.

Atemporal a qualquer tempo.
Mesmo que as vinhas tragam consigo o gosto amargo da luta,
à brisa,que sopra de tarde,vinda do grande mar azul,refresca pouco à pouco a alma cinzenta e suada da gente.
O novo é a parte sobrevivente do passado,em uma releitura.

Revigora-nos e ficamos pequenos outra vez.
Cada criança assustada,escondida no coração da gente,desperta-se sorridente,
na saudade de saber que nada sabe
exatamente e tão pouco,cada vez menos se entende.
As verdades estão cada vez mais veladas.

E vem à luz.
A arte,é a parte mais bela de tudo,que na alma da gente,desperta-nos e nos completa,sem qualquer tecnificação estabelecida. 
E o artista,é todo aquele que,muitas vezes sem perceber
o que pode acarretar em nós,diz.



Universalidades.
A arte é o ideograma certo original,a palavra-idéia-universal, nunca dita,mas nem portanto maldita.De todos nossos intranqüilos óbvios,que na vida não permitimos contentamento algum,nem tão pouco,deixamos cair-se em lugar comum.
O exato que prevalece e aparece em todos os lugares.
.

A Insensata Rebeldia.
A arte é o caminhar de corpo,e alma,e do coração puro,para cada um que segue seu escuro,seu jeito,a cada feito,e não percebe defeito em seu próprio e estreito caminho.

O isolamento fértil do artista.
Não como um defeito.
Mas como único,certo,e egoístico desejo,
de ser efemeramente eterno,enquanto dure.
Não tão mais que em um instante.Mesmo assim glorificante.
A arte é feita para si mesmo.

Infinito até o próximo momento.
O eterno movimento que nunca para,há de nos apagar.
E nossas cinzas serão colocadas no mar.
E um dia inadvertidamente,acordarmos e percebermos,que somos enfim,não mais que a pequena parte,
 frágil e tão engraçada,
do desenho riscado,em cada chão de giz.



Texto de Ricardo Barradas para Bienal de Porto Santo.
                        Rio de Janeiro - Brasil.
 
 


Registado

RICARDO BARRADAS,
advogado,marchand,curador,consultor. http://www.avaliadordearte.com
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