avaliadordearte
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RICARDO BARRADAS,curador e avaliadordearte.
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« Responder #2 em: 27 Março, 2008, 16:41:44 » |
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De Corpo e Alma.
“...Se vem às tempestades,acostas,que o Porto é Santo. Se vem às calmarias,percebas que o mar é manto...” Proclamava no passado o visionário navegador Genovês. A Lua Senhora é a mais bela e velha testemunha, de cada uma das tentativas da vida permanecer-se viva. Nunca houve noite que pudesse impedir o nascer do Sol. As águas primordiais banham,molham e secam os finos grãos de areias nas praias,ao mesmo tempo,que a cada dois anos,celebram e vivificam-se como num passe de mágica, alguma liquida parte na obra de cada artista.
A água que flui e nos transborda. Quando estamos fadados,os pensamentos novos, revigoram-nos do seu jeito,nossa tremula inquietude. De certo a juventude,não tem idade é a parte motriz de um continuo movimento, que nos joga para frente,e nos joga para traz. Os rios correm para o mar,as chuvas umedecem a terra. Repetidamente.
Atemporal a qualquer tempo. Mesmo que as vinhas tragam consigo o gosto amargo da luta, à brisa,que sopra de tarde,vinda do grande mar azul,refresca pouco à pouco a alma cinzenta e suada da gente. O novo é a parte sobrevivente do passado,em uma releitura.
Revigora-nos e ficamos pequenos outra vez. Cada criança assustada,escondida no coração da gente,desperta-se sorridente, na saudade de saber que nada sabe exatamente e tão pouco,cada vez menos se entende. As verdades estão cada vez mais veladas.
E vem à luz. A arte,é a parte mais bela de tudo,que na alma da gente,desperta-nos e nos completa,sem qualquer tecnificação estabelecida. E o artista,é todo aquele que,muitas vezes sem perceber o que pode acarretar em nós,diz.
Universalidades. A arte é o ideograma certo original,a palavra-idéia-universal, nunca dita,mas nem portanto maldita.De todos nossos intranqüilos óbvios,que na vida não permitimos contentamento algum,nem tão pouco,deixamos cair-se em lugar comum. O exato que prevalece e aparece em todos os lugares. .
A Insensata Rebeldia. A arte é o caminhar de corpo,e alma,e do coração puro,para cada um que segue seu escuro,seu jeito,a cada feito,e não percebe defeito em seu próprio e estreito caminho.
O isolamento fértil do artista. Não como um defeito. Mas como único,certo,e egoístico desejo, de ser efemeramente eterno,enquanto dure. Não tão mais que em um instante.Mesmo assim glorificante. A arte é feita para si mesmo.
Infinito até o próximo momento. O eterno movimento que nunca para,há de nos apagar. E nossas cinzas serão colocadas no mar. E um dia inadvertidamente,acordarmos e percebermos,que somos enfim,não mais que a pequena parte, frágil e tão engraçada, do desenho riscado,em cada chão de giz.
Texto de Ricardo Barradas para Bienal de Porto Santo. Rio de Janeiro - Brasil.
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