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Autor Tópico: "Vivemos num mundo de escravatura sofisticada" - José de Guimarães  (Lida 860 vezes)
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« em: 17 Novembro, 2008, 11:53:07 »

O artista português José de Guimarães afirmou hoje, em Logroño, Espanha, que se vive actualmente "num mundo de escravatura sofisticada" ao comentar a importância da opressão do ser humano como temática do seu trabalho artístico.


Cerca de 25 mil pessoas viram ao longo de seis meses a exposiçao "Mundos, Corpo e Alma", retrospectiva dos últimos 30 anos do trabalho do artista plástico que hoje encerrou no Museu Würth La Rioja, em Espanha, com a presença do ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro.

O museu espanhol adquiriu recentemente a obra principal da exposiçao, intitulada "Favela" (2007), criada pelo artista como uma metáfora sobre a imigração e a interculturalidade.

"Custa-me separar-me desta obra ["Favela"]. Queria guardá-la para a minha colecção pessoal", confessou o artista, em declarações aos jornalistas após o encerramento da exposição, que reúne ainda uma parte da sua colecção particular de arte tribal africana.

"A obra integra uma série que fiz sobre o Brasil e na qual usei as próprias caixas de transporte das obras, recicladas elas próprias em obras de arte", explicou o artista, acrescentando que quando visitou as favelas brasileiras sentiu "uma grande energia humana".

Apesar da "dor" da separaçao, comentou que o Museu Würth La Rioja "é um bom lugar para a obra, porque está muito bem estruturado".

A Colecçao Würth pertencente à multinacional alemã - com cerca de 11.600 obras de arte moderna e contemporânea - possui "todas as obras importantes" dos vários períodos da produção do artista desde 1965 até à actualidade, comentou aos jornalistas.

A série de trabalhos de José de Guimaraes sobre o Brasil está ligada às raízes do país: "Essa temática está muito presente em mim. As pessoas costumam criticar a época do esclavagismo, mas hoje vivemos num mundo de escravatura sofisticada. A escravatura realmente não terminou. Há processos de opressão permanente do ser humano", lamentou.

José de Guimarães, 69 anos, já se encontra representado com cerca de uma centena de obras na Colecção Würth, iniciada nos anos 60 do século passado pelo empresário e coleccionador alemão Reinhold Würth, e que reúne artistas de renome como Edvard Munch, Emil Nolde, Camille Pissaro, Max Ernst, Jean Arp, Henry Moore, Anthony Caro, Robert Jacobsen, René Magritte e Georg Baselitz.

O artista adoptou como pseudónimo o nome da sua cidade natal e esteve nos anos 60 em Angola para cumprir o serviço militar, acabando por ficar no país sete anos, que viriam a ser determinantes para a sua forma de criar e entender a arte.

Também as culturas chinesa e japonesa inspiraram José de Guimarães em certos períodos da sua carreira, tendo-se deslocado frequentemente ao Oriente para exposições e criação de obras de arte pública, nomeadamente em Macau.

A comunicação, a guerra, o amor, o erotismo e a literatura são temas presentes nos seus trabalhos adquiridos por colecções públicas e privadas a nível nacional e internacional tais como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Madrid, o Rockefeller Art Center (EUA), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte Moderna de Bruxelas e o Museu de Angola, entre outros.


Fonte: RTP
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« Responder #1 em: 19 Novembro, 2008, 10:37:38 »

Governo de Macau vai repor esculturas "retiradas" de José de Guimarães


O Governo de Macau assegurou ao artista plástico português José de Guimarães que vai repor as esculturas no Jardim das Artes no território, retiradas na sequência de obras para a construção de um casino.

José de Guimarães revelou à Agência Lusa que o Governo de Macau "iniciou as primeiras reuniões técnicas" para reconstruir o conjunto criado para o local em 1999.

Esta resposta oficial surge na sequência de uma queixa que o artista plástico apresentou à Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) que, por seu turno, enviou uma carta ao governo de Macau sobre o caso, alegando que tinha havido "uma violação moral dos direitos de autor".

Em Maio deste ano o escultor e pintor denunciou a destruição de seis das oito árvores metálicas que criou para o Jardim das Artes de Macau. Durante as obras de construção de um casino naquela zona, as peças de arte pública - entre outras de diversos artistas - foram retiradas e depois recolocadas, mas só uma parte do conjunto de José Guimarães foi reposto.

Quando José de Guimarães teve conhecimento do sucedido deslocou-se Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) para obter explicações, e tentou fazer contactos, mas não obteve qualquer resposta, entregando depois o caso nas mãos da SPA, em Portugal.

"A zona foi absorvida por um casino, mas as entidades responsáveis não me disseram nada", explicou José de Guimarães à Lusa, acrescentando que estava em causa não apenas a violação moral dos direitos de autor, mas também "a destruição de um conjunto de obras de arte que representa uma cultura que permaneceu em Macau durante séculos".

O desfecho do caso, é, para o artista, "uma satisfação e o único admissível", comentou ainda.

Segundo José de Guimarães - que também já criou obras de arte pública para cidades em Portugal, Alemanha e Japão - o arquitecto Caldeira Cabral, autor do plano inicial do Jardim das Artes, vai ser também responsável pelo novo projecto, onde as esculturas serão reimplantadas.


Fonte: Sapo/Lusa
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