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Autor Tópico: Centro de arte africana contemporânea é aposta do Governo  (Lida 809 vezes)
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« em: 02 Dezembro, 2008, 11:57:58 »

Acontece exactamente um ano depois da cimeira UE-África, e não é por acaso. No próximo dia 9, o primeiro-
-ministro José Sócrates irá anunciar a criação do África.cont, um centro de arte africana contemporânea em Lisboa. Um projecto considerado estratégico para, explicou ao PÚBLICO o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, "a consolidação de Lisboa como espaço euro-africano". Ou, nas palavras de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), para "perpetuar esta realidade de Lisboa ser a ponte entre a Europa e África".

O anúncio irá acontecer num jantar oferecido por Sócrates, e para o qual estão convidados os embaixadores dos países africanos em Portugal, vários empresários portugueses e africanos e o antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan (presença ainda não confirmada).

O projecto nasce também já com uma morada, revelou ao PÚBLICO José António Fernandes Dias, consultor da Fundação Gulbenkian, especialista em arte contemporânea africana e o homem convidado para conceber o novo centro.

O África.cont ficará instalado nas Tercenas do Marquês, edifício do século XVIII, actualmente bastante degradado, situado no "miolo" entre a Rua das Janelas Verdes e a Avenida de 24 de Julho, próximo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e terá entrada por ambos os lados.

Dado que o espaço, que inclui o Palacete Pombal e três antigos armazéns, precisa de obras, a proposta de Fernandes Dias foi que se convidasse um arquitecto africano. A escolha está feita e David Adjaye (nascido na Tanzânia mas a viver em Londres) tem já pronto o anteprojecto (financiado pela Fundação Gulbenkian), que será apresentado no jantar de dia 9.

"Ele já cá veio ver o espaço, e ficou muito excitado com o projecto", conta Fernandes Dias, sublinhando que Adjaye conhece bem Portugal, tendo estagiado no Porto com o arquitecto Eduardo Souto de Moura.


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« Responder #1 em: 13 Dezembro, 2008, 18:32:37 »

A arte africana contemporânea já "merecia" um centro de divulgação como o "África.cont",a inaugurar em Lisboa em 2012, para apoiar a projecção da produção artística do continente, disseram à Lusa pintores e escultores lusófonos.

Para o artista plástico moçambicano Malangatana, a iniciativa é bem-vinda, mas o lugar da arte africana contemporânea deve ser ao lado da produzida na Europa ou Ásia.

"Aquilo que é de África deve ter lugar também na Gulbenkian ou outros centros de Arte Moderna (...) Muitas vezes tenho sentido que nós não cabemos numa galeria normal, por exemplo na Gulbenkian e outros centros de Arte Moderna, e não acho justo", disse à Lusa Malangatana, que apenas tinha ouvido ecos da criação do "Africa.cont".

O novo centro, defendeu, é "uma coisa de grande consciência", enquanto "lugar onde Moçambique, Angola ou Cabo Verde possam ver as suas obras expostas", mas também para a "tertúlia e o encontro, as discussões culturais"

"Não existe mais nada assim, actualmente, só o [Museu] de etnologia. Nada onde se pudesse contemplar não só o que é a arte ritual, mitológica, também a parte das artes actuais, a contemporaneidade", afirmou.

António Ole, artista plástico angolano, sublinhou as novas possibilidades para a divulgação das artes africanas, mas não a única.

"É uma como há muitas outras possibilidades e outras vias. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maior curiosidade é saber o que se está a passar na arte contemporânea, não só de Angola, como de outros países do continente. Pode ser um contributo muito grande, só isso", disse à Lusa.

O artista angolano defendeu também que os próprios africanos apostem na criação dos seus próprios centros de divulgação, "porque as mega-exposições não deviam só passar-se no continente americano ou europeu".

Francisco Van-Dunem, artista plástico e director do Centro de Formação de Belas-Artes de Luanda, afirmou que uma iniciativa como o "África.cont", "já devia ter acontecido, mas nunca é tarde quando as coisas surgem para bem".

"Vai tambem contribuir para que alguns preconceitos que durante muitos anos reinaram em detrimento das artes africanas sejam esbatidos, preconceitos que muitos euro-ocidentais consideravam ou menosprezavam as artes em África", declarou.

Quanto ao facto de ser em Lisboa, acrescentou que "é uma mais valia para os PALOP, porque o relacionamento entre Portugal e Angola é de afectos", o que traduz "um grande avanço sobre os demais africanos".

A artista luso-cabo-verdiana Luísa Queiroz vê um passo positivo numa caminhada que deve passar pela escolha de "pessoas que venham com formação adequada para fazerem selecções das obras", até porque nas exposições de arte lusófona muitas vezes "são sempre os mesmos" artistas representados.

"Se quer ser um centro de arte africana, terá de fazer durante esses anos pesquisa do que é que existe nos países que estão interessados e também na aquisição das obras, (...) tem de ser uma coisa feita com tempo e qualidade (...) e não apenas para qualquer coisa por amiguismos e por estar perto e porque há interesses políticos", referiu à Lusa.

O moçambicano Xikhani foi surpreendido no seu país pela notícia da criação do centro, que disse "fazer muita falta".

"Era bom fazer uma colectiva de artistas africanos no meio dos lusos. Eu, se pudesse vinha já, para ficar aí alguns dias", adiantou à Lusa.

A criação do África.cont ("cont" de continente mas também de contemporâneo) foi anunciada oficialmente pelo governo na semana passada, e Lisboa assume o projecto como uma "aposta estratégica para a consolidação como um espaço euro-africano"

Irá albergar pintura, desenho e fotografia mas também cinema, música e literatura.



Fonte: Lusa
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